17/12/2012

POR - Missão Dehoniana em Angola: esperança no futuro

 

A presença Dehoniana em Angola está a consolidar-se e o futuro apresenta-se cheio de esperança. No passado dia 8 de Dezembro  Angola passou a Distrito da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus. Trata-se de uma entidade com bastante autonomia e que depende do Superior Geral para as decisões mais importantes. O Governo do Distrito tomou posse nesse mesmo dia. O Pe. Domingos Pestana é o Superior, coadjuvado por 3 Conselheiros: Pe. Max Atanga, Pe. Amândio Rocha e Pe. Maggiorina Madella. Esta equipa de governo está agora a elaborar um projecto de reestruturação das três comunidades Dehonianas em Angola: Viana, Luau e Luena. Em inícios de Fevereiro, com o começo do ano lectivo e do ano pastoral, as comunidades devem estar organizadas com os novos membros.
Ao longo da semana passada, juntamente com o Superior Geral (Pe. José Ornelas) e com o Conselheiro Geral para África (Pe. Albert Lingwengwe) visitámos as comunidades do interior. Partilho algumas breves informações sobre a presença dehoniana em Angola.

A comunidade do Luau
No Luau, a dois passos do Congo, a missão tem crescido desde que lá chegaram os dehonianos, em 2005. Ao nível das estruturas foi recuperada (1ª fase) a igreja da Paróquia de Santa Teresa do Menino Jesus, a casa onde vivem as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição e a casa dos missionários, antes em reuínas, readquiriu agora a sua velha elegância e beleza. Presentemente está em fase de conclusão a construção da ampliação escola da missão que permitirá duplicar a capacidade dos alunos que frequentam os primeiros anos da escolaridade, passando para cerca de 400 crianças. Toda a escola foi paga com subsídios vindos de uma empresa petrolífera.
A par destas obras que absorveram muito do tempo do Pe. Joaquim Freitas, tem sido também desenvolvido um vasto trabalho de evangelização e de animação da paróquia e das comunidades das aldeias que rodeiam o Luau. Esta comunidade dehoniana, que por força de várias circunstâncias ficou com um só elemento, será reforçada e, terminadas as obras, será possível dar ainda mais atenção às actividades pastorais.
Saliente-se ainda que no Luau há um grupo de 5 seminaristas, sendo que 3 deles no próximo ano irão para o Luena, a fim de iniciarem o curso secundário, que não existe no Luau.

A comunidade do Luena
Esta comunidade, até ao presente constituída pelo Pe. Jorge, o Pe. Madella e o Pe. Jean-Paul, habita em situação muito precária e pobre num anexo que foi construído no terreno doado à Congregação pelo bispo da diocese, D. Tirso Blanco. Dista 5 km do centro da cidade, na estrada para Saurimo. Ali perto situa-se o cemitério onde terá sido sepultado Jonas Savimbi.
A comunidade do Luena dedica-se sobretudo à pastoral na paróquia do Sagrado Coração de Jesus. Trata-se de uma paróquia situada nos arredores da cidade constituída essencialmente por pessoas que estavam refugiadas no Congo e na Zâmbia. É uma paróquia onde tudo está a começar do zero e há tudo para fazer. O Pe. Jorge está a construir uma igreja onde pretende celebrar missa no dia de Natal. O bispo deseja ir lá celebrar a Solenidade da Epifania. Muito coisa ainda está por acabar, mas a verdade é que o espaço onde agora se celebra a Eucaristia e se desenvolve toda a vida paroquial é minúsculo e sem condições.
Terminadas as obras da igreja, o próximo grande desafio da comunidade do Luena será construir a sua residência e num futuro próximo o pequeno seminário que se pretende implantar contíguo à casa dos missionários.

Luena e Luau sofreram enorme progresso nestes últimos anos. Foram construídas estradas, outras estão em fase de acabamento. A linha férrea já chegou ao Luena. O comboio circula a abarrotar de gente que vai vender e comprar produtos. Daqui a pouco tempo chegará também ao Luau. Os chineses estão a concluir os trabalhos. A velha estação do Luena foi recuperada. A do Luau foi construída de raiz, visto que a antiga estava em grande estado de deterioração. Há comércio, há automóveis, há imensas motorizadas, há escolas a funcionar, há tanta gente que num de repente invadiu estas duas localidades. O aeroporto do Luena está a ganhar uma nova gare, moderna e espaçosa.

Comunidade de Viana
Os dehonianos que aqui trabalham (Pe. Domingos, Pe. Amândio, Pe. Vicente, Pe. Max, Pe Amaro e Ir. Delfino) dedicam-se essencialmente à pastoral na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e à formação dos seminaristas (11 seminaristas em 2012). A paróquia é enorme (mais de duzentas mil pessoas) e os cristãos frequentam ao milhares os centros de culto (sede da paróquia, Santa Bakhita, Santa Maria e Santa Filomena). Só para se ter uma ideia dos números que por aqui se usam, refiro que, no passado sábado, na igreja da Paróquia de Nossa do Rosário, foram baptizadas 182 crianças, filhas de pais que não estão casados pela Igreja. Estas famílias fizeram um percurso de 6 meses de preparação com duas horas de reunião todas as semanas. Depois, há os que são baptizados em idade adulta, há jovens, há as crianças filhas de pais casados pela Igreja... São centenas de baptismos durante o ano! Em Santa Bakhita está a concluir-se a construção de uma nova igreja que albergará cerca de 1.500 pessoas. Números que impressionam!

Em Viana a situação pouco evoluiu em relação a anos anteriores. Nos bairros vivem milhares de pessoas cuja qualidade de vida deixa muito a desejar, sobretudo em tempo de chuva quando as ruas, em terra, se tornam intransitáveis aos humanos e aos automóveis mais pequenos. Jeep’s e botas de água são os que conseguem vencer o obstáculo da lama, do lixo e da água suja e contaminada. Por outro lado o comércio e a indústria desenvolveram-se muito nestes anos. A rede da água potável começa a ser instalada. A vida fervilha intensamente por entre os bairros de casas cobertas de zinco. Prevê-se que a curto prazo a qualidade de vida das pessoas dê passos significativos. A paz abriu muitas janelas de esperança.

Santuário da Muxima
Na tarde deste Domingo pude visitar o Santuário da Muxima (que significa coração), na Província do Bengo, dedicado a Nossa Senhora da Conceição. Data do século XVI e foi construído pelos portugueses na margem esquerda do rio Kuanza. A localização é magnífica. No monte atrás do Santuário existe uma fortaleza mandada construir por Paulo Dias de Novais, sob ordens de D. João III.
O Santuário da Muxima é o principal santuário de Angola. Todos os anos, em Setembro, cerca de 800 mil pessoas deslocam-se ao Santuário para participarem nas festas em honra de Nossa Senhora da Conceição.
Recentemente foi alcatroada a estrada que conduz ao santuário e construída a ponte sobre o rio Kuanza. No passado o acesso ao Santuário fazia-se através de uma estrada de terra ou então através do rio.
Que a Senhora da Muxima acompanhe esta nova fase da Missão Dehoniana em Angola.

Zeferino Policarpo, scj